quinta-feira, 28 de junho de 2007

"Desabafo claudicante"

Bonjour!
Estou aqui pra te dizer
Que eu gosto tanto de você
E que a nossa bela estória sequer começou.

Merci Beaucoup!
Eu te agradeço por me ouvir
Isso já basta para mim
-Tenha um bom dia! Passar bem!

Mitchell Almeida

quarta-feira, 20 de junho de 2007

"Prenúncio de Novos Tempos - Gil Exclusivo!"


"Banda Larga"
(Gilberto Gil)

Pôs na boca, provou, cuspiu.
É amargo, não sabe o que perdeu.
Tem o gosto de fel, raiz amarga,
Quem não vem no cordel banda larga
Vai viver sem saber que o mundo é o seu.
Tem um gosto de fel, raiz amarga,
Quem não vem no cordel da banda larga.
Vai viver sem saber que o mundo é o seu.
Uma banda da banda é umbanda,
Outra banda da banda é cristã,
Outra banda da banda é cabala,
Outra banda da banda é alcorão.
E então, e então, são quantas bandas?
Tantas quantas pedir meu coração.
E o meu coração pediu assim só:
Bim-bom, bim-bim-bom, bim-bão,
Todo mundo na ampla discussão.
O neuro-cientista, o economista,
Opinião de alguém que está na pista,
Opinião de alguém fora da lista,
Opinião de alguém que diz não.
Ou se alarga essa banda e a banda anda
Mais ligeiro pras bandas do sertão,
Ou então não, não adianta nada,
Banda vai, banda fica abandonada,
Deixada para outra encarnação.
Ou então não, não adianta nada,
Uma vai, outra fica abandonada,
Os problemas não terão solução.
Piraí, Piraí, Piraí,
Piraí bandalargou-se há pouquinho,
Piraí infoviabilizou
Os ares do município inteirinho.
Por certo que a medida provocou
Um certo vento de redemoinho,
Diabo do menino agora quer
Um ipod e um computador novinho.
O certo é que o sertão vai virar mar
O certo é que o sertão vai navegar
No micro do menino internetinho.
O Netinho, baiano e bom cantor,
Já faz tempo tornou-se um provedor
– provedor de acesso
À grande rede www.
Esse menino ainda vira um sábio
Contratado do Google, sim sinhô!
Diabo de menino internetinho,
Sozinho vai descobrindo o caminho,
O rádio fez assim com o seu avô.
Rodovia, Hidrovia,
Ferrovia e agora chegando a infovia,
Pra alegria de todo o interior.
Meu Brasil, meu Brasil, bem brasileiro
O You Tube chegando aos seus grotões,
Veredas dos Sertões, Guimarães Rosa,
Ilíadas, Luzíadas, Camões,
Rei Salomão no Alto Solimões,
O pé da planta, a baba da babosa,
Pôs na boca, provou, cuspiu,
É amargo, não sabe o que perdeu,
É amarga a missão, raiz amarga,
Quem vai soltar balão na banda larga
É alguém que ainda não nasceu...
É amarga a missão, raiz amarga,
Quem vai soltar balão na banda larga
É alguém que ainda não nasceu...

PS: O ministério parece não ter findado a genialidade do poeta Gil.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

"O Pseudo-Intelectual Alternativo"

Ele vem chegando aqui
Com um ar de tristeza sorridente
Eu vivo tão desalentada
E busco um amor burocraticamente

Sem saber...
Sem saber que ele
Usa uma calça-pijama exótica e quadriculada
Um belo tênis All Star e uma camisa “T-shirt” encurtada
-Com alguns pêlos na cara...
-Madeixas meio desleixadas...

Ele faz uso de livros que eu desconheço
Assiste a filmes que são batizados de “Cult”
E pela música indie ele tem muito apreço

Ele é...
Um intelectual
Mas não é...
Um intelectual

Ele que adora besteiras e pornografias
Vibra com vários programas sensacionalistas
E achincalha as normas de formalidade

Ele é...
“Desintelectual”
Mas não é...
“Desintelectual”

Ele é uma junção de todas as vertentes
Ele é o mais divino dos antagonismos
Ele é bem mais e bem menos que um mero intelectual

Ele é o pseudo-intelectual alternativo
Ele é o pseudo-intelectual alternativo
Eu quero um pseudo-intelectual alternativo.

Mitchell Almeida
(para Hai, Piu etc...)

quinta-feira, 14 de junho de 2007

"(in)existência"

Um dia existirá em mim
O que já existe em mim

Também inexiste em mim
O "existe" que inexistirá em mim

O que inexistirá em mim
É o mim que inexiste em ti

Tudo é mentira!
Quase nada existe.
Entretanto...
Loucos continuarão a existir.

Mitchell Almeida

terça-feira, 12 de junho de 2007

Ben Disse Assim...

Take it easy my brother Charlie
Take it easy meu irmão de cor
Charlie, take it easy my boy
Take it easy my friend
Olha como o céu é azul
Olha como é verde o mar
Olha que sol bonito, Charlie

Take it easy my boy
Take it easy my friend
Tenha calma meu amigo.

(Jorge Ben Jor)

Que fique aqui registrado minhas emotivas congratulações
ao mentor desta gazeta por essa data um quão peculiar...

Feliz Aniversário, saravá!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

"Viva La Revolución!" (O analfabeto político de Caracas)

Viva o progresso da Venezuela!
Salve! – ó grande, Hugo Chavez
Salve-nos da alienação!
- Do enxofre oriundo da América.

Salve o nosso povo da miséria!
Livrai-nos de todo o mal!
O seu mandato é infindável
E o seu poder descomunal.

Salve a Latino-América!
Salve a vida de Fidel!
Salve Evo! – Lula, salve-se!
Chavez salve todo o mundo!

E a revolução alvoreceu...
Linda, magnânima, lídima.
Achei até interessante
Mas não entendi direito.

Questionavam sobre uma tal de liberdade de expressão
Uma liberdade que “Chavito” dizia ser de expressão norte-americana
Continuei sem entender nada daquilo.
Só após dois dias, eu vim perceber que o meu programa favorito não passava mais na televisão.
Foi muito triste!

Entretanto, “Chavito” me alentou
Em belíssimo pronunciamento, ele disse...

...que a Venezuela seguirá firme, rumo ao desenvolvimento.
...que um mero canal de TV não fará falta alguma.
...que, em breve, seremos um país de primeiro mundo.
...e que o nosso petróleo jamais acabará.

- Ah... Como eu amo “Chavito”!

Mitchell Almeida

sábado, 2 de junho de 2007

"Consulta"

O jovem Joãozinho fora compelido por sua família a consultar-se com um psiquiatra.
Sem escapatória, o incompreendido garoto acatou a exigência dos seus superiores.
Joãozinho permanecia taciturno durante quase toda a consulta. Entretanto, através da janela do consultório, ele apreciara com certo fascínio o sibilar do vento nas árvores.

-"Olha o vento descabelando as árvores...", disse Joãozinho, encantado.
-"Mas as árvores não tem cabelo, João", o psiquiatra cometeu o erro de dizer.
-"E há pessoas que não tem poesia!", complementou, fulminantemente, Joãozinho.

Abruptamente, surgiram três corpulentos enfermeiros e vestiram no insano Joãozinho uma portentosa camisa de força.