Fui convidado por meus amigos
para uma festa diferente.
Na casa de um colega
gente fina, muito boa.
Era sábado à noite e chovia demais...
Já havia tomado alguns uísques em plena tarde plena
Escutado Vinicius, Caetano Veloso e Jorge Ben Jor
Fui ameaçado de morte por ter defendido a genialidade "joaogilbertiana"
E taxado de "bicha" por ter me sentado de pernas cruzadas
Eu estava feliz e era só isso o que me importava
Eu estava feliz e a noite não tinha sequer começado.
Ajeitei-me no carro (já estava a caminho da festa esperada)
Onze horas da noite, cabelo arredio e roupa amarfanhada
Eu apenas sorria e pensava na vida com o vidro fechado
E a chuva chovia, e a chuva chovia, e chovia, e molhava...
Ao chegar à festa, fui pelo anfitrião devidamente apresentado
Para toda a galera trajada de forma um quão estapafúrdia
Mulher de gravata, homem de saia e homens-mulheres
O ambiente era estranho, era mais do que estranho, e eu havia gostado.
Sem falar que na festa rolava uma música bem descomunal
Um tom merencório deixou o pessoal em estado de êxtase
Uma tristeza indie, uma tristeza pseudo-contagiante
Me apaixonei por uma "emoriental"!
Eu bebia um ilícito uísque (escondido do dono da casa)
Enquanto ela bebia um composto terrível de vodka e água
Ela saia repentinamente para dançar por trinta segundos
O seu cabelo permanecia indianamente ocidental.
Áquela altura, eu já não mais sabia de porra nenhuma
Era muita alegria, era muita tristeza, era muita tontura.
Procurei um sofá, relaxei a cabeça, e deitei sem censura
Peguei logo no sono e sozinho acordei no domingo, de tarde.
Era domingo à tarde e não chovia mais...
Era domingo à tarde e não chovia mais...
M.A.
sábado, 29 de setembro de 2007
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Revolução Burguesa Tupiniquim
Basta!
Eu estou cansado de tanta impunidade.
As coisas não podem permanecer como estão.
Vamos às ruas clamar por justiça!
Vamos fazer uma revolução!
Vamos todos juntos!
Louros de olhos claros,
Patrícias,
juventude burguesa,
o futuro da nação.
Calcemos os nossos Adidas!
Usemos um visual engajadamente fashion!
(Não esqueçamos do protetor solar!)
Cumpramos o papel de alunos politizados de instituição particular de ensino superior!
- Afinal, a pressão da mídia é demasiado grande.
Eu li na Veja que são todos uns ladrões.
A Globo falou que um ex-operário analfabeto de nove dedos não teria capacidade de domar o país.
Papai me disse que nós, burgueses, não podemos abrir mão do nosso direito à liberdade de expressão.
Não podemos continuar inertes!
O Maquiavel do sertão tem de ser desmascarado!
E aquele presidente do senado - que eu não sei o nome - também!
Não temos mais tempo a perder!
Vamos fazer, imediatamente, algo para tirar esses ladravazes do poder!
Vamos às ruas!
Vamos juntos!
Vamos fazer barulho por várias coisas que agora me fogem da memória!
Será legal e só haverá gente bela.
Será um acontecimento marcante.
Vocês não irão se arrepender!
Até porque, após a nossa histórica manifestação, haverá uma confraternização em forma de happy hour em algum barzinho transado da cidade.
Iremos bebemorar o nosso feito!
Será imperdível!
Vamos fazer a revolução!
PS: Entretanto, não podemos esquecer de chegar em casa a tempo de acompanhar os momentos decisivos da novela das oito.
M.A.
Eu estou cansado de tanta impunidade.
As coisas não podem permanecer como estão.
Vamos às ruas clamar por justiça!
Vamos fazer uma revolução!
Vamos todos juntos!
Louros de olhos claros,
Patrícias,
juventude burguesa,
o futuro da nação.
Calcemos os nossos Adidas!
Usemos um visual engajadamente fashion!
(Não esqueçamos do protetor solar!)
Cumpramos o papel de alunos politizados de instituição particular de ensino superior!
- Afinal, a pressão da mídia é demasiado grande.
Eu li na Veja que são todos uns ladrões.
A Globo falou que um ex-operário analfabeto de nove dedos não teria capacidade de domar o país.
Papai me disse que nós, burgueses, não podemos abrir mão do nosso direito à liberdade de expressão.
Não podemos continuar inertes!
O Maquiavel do sertão tem de ser desmascarado!
E aquele presidente do senado - que eu não sei o nome - também!
Não temos mais tempo a perder!
Vamos fazer, imediatamente, algo para tirar esses ladravazes do poder!
Vamos às ruas!
Vamos juntos!
Vamos fazer barulho por várias coisas que agora me fogem da memória!
Será legal e só haverá gente bela.
Será um acontecimento marcante.
Vocês não irão se arrepender!
Até porque, após a nossa histórica manifestação, haverá uma confraternização em forma de happy hour em algum barzinho transado da cidade.
Iremos bebemorar o nosso feito!
Será imperdível!
Vamos fazer a revolução!
PS: Entretanto, não podemos esquecer de chegar em casa a tempo de acompanhar os momentos decisivos da novela das oito.
M.A.
sábado, 15 de setembro de 2007
"Eu gosto do malandro!"
O malandro não quer saber de mim
O malandro me trata tão mal
Sei que às vezes me ponho a sorrir
Tantas vezes me sinto sem sal
Nem sequer me chama pra sair
Muito menos topa conversar
E de tanto, de tanto me ouvir
Meu amigo já disse me amar
Ele faz tudo por mim
Mas eu gosto é do malandro!
Creio que me ame, sim
Mas eu gosto é do malandro!
Meu amigo me leva no shopping...
-E o malandro, nem aí!
Meu amigo ouvindo lamúrias...
-E o malandro a sorrir!
O meu amigo é tão legal
O meu amigo é quase perfeito
Meu amigo é um homem "normal"
Entretanto, notei um defeito:
Apesar de ser fiel
E de, agora, estar me amando
Sinto falta, sinto muito!
Mas eu gosto é do malandro!
Sinto falta, sinto muito!
Mas eu gosto é do malandro!
Ele faz tudo por mim
Mas eu gosto é do malandro!
Creio que me ame, sim
Mas eu gosto é do malandro!
Mitchell Almeida
O malandro me trata tão mal
Sei que às vezes me ponho a sorrir
Tantas vezes me sinto sem sal
Nem sequer me chama pra sair
Muito menos topa conversar
E de tanto, de tanto me ouvir
Meu amigo já disse me amar
Ele faz tudo por mim
Mas eu gosto é do malandro!
Creio que me ame, sim
Mas eu gosto é do malandro!
Meu amigo me leva no shopping...
-E o malandro, nem aí!
Meu amigo ouvindo lamúrias...
-E o malandro a sorrir!
O meu amigo é tão legal
O meu amigo é quase perfeito
Meu amigo é um homem "normal"
Entretanto, notei um defeito:
Apesar de ser fiel
E de, agora, estar me amando
Sinto falta, sinto muito!
Mas eu gosto é do malandro!
Sinto falta, sinto muito!
Mas eu gosto é do malandro!
Ele faz tudo por mim
Mas eu gosto é do malandro!
Creio que me ame, sim
Mas eu gosto é do malandro!
Mitchell Almeida
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
A piada do dia
Nota oficial após um resultado edificante:
"O resultado da votação de hoje é uma vitória da democracia, mas é também o momento de refletir sobre as perdas que esse processo político provocou.
Nesses mais de 100 dias, muitos de nós perdemos algo. Eu perdi mais. Abri mão de momentos de convivência com minha família e amigos.
Mas confirmamos que, mesmo com eventuais injustiças e excessos inerentes ao processo democrático, é preciso acreditar nas instituições, fortalecê-las e não perder a confiança de que a verdade sempre prevalecerá.
Não guardo mágoa, nem ressentimentos. O único sentimento que me move é o do entendimento e do diálogo. Esse processo se encerra com a reafirmação do mútuo respeito e da serenidade que sempre caracterizaram a convivência política nesta Casa.
A partir da decisão madura e soberana do plenário do Senado, já comecei a procurar os líderes e presidentes de partidos para prosseguirmos na agenda legislativa que de fato interessa ao país, à população.
Não tenham dúvidas. Saberei corresponder aos anseios da instituição e aproximá-la cada vez mais da sociedade brasileira.
Senador Renan Calheiros
Presidente do Senado Federal''
PS: Sinto-me acanhado em proferir algo acerca de tais fatos - visto que Renanzinho já nos disse tudo.
Entretanto, só me resta erguer uma taça de cerveja e propor um resignado brinde:
-"Um brinde à impunidade!"
...e tudo permanece igual!
"O resultado da votação de hoje é uma vitória da democracia, mas é também o momento de refletir sobre as perdas que esse processo político provocou.
Nesses mais de 100 dias, muitos de nós perdemos algo. Eu perdi mais. Abri mão de momentos de convivência com minha família e amigos.
Mas confirmamos que, mesmo com eventuais injustiças e excessos inerentes ao processo democrático, é preciso acreditar nas instituições, fortalecê-las e não perder a confiança de que a verdade sempre prevalecerá.
Não guardo mágoa, nem ressentimentos. O único sentimento que me move é o do entendimento e do diálogo. Esse processo se encerra com a reafirmação do mútuo respeito e da serenidade que sempre caracterizaram a convivência política nesta Casa.
A partir da decisão madura e soberana do plenário do Senado, já comecei a procurar os líderes e presidentes de partidos para prosseguirmos na agenda legislativa que de fato interessa ao país, à população.
Não tenham dúvidas. Saberei corresponder aos anseios da instituição e aproximá-la cada vez mais da sociedade brasileira.
Senador Renan Calheiros
Presidente do Senado Federal''
PS: Sinto-me acanhado em proferir algo acerca de tais fatos - visto que Renanzinho já nos disse tudo.
Entretanto, só me resta erguer uma taça de cerveja e propor um resignado brinde:
-"Um brinde à impunidade!"
...e tudo permanece igual!
domingo, 9 de setembro de 2007
"Pau e linha"
Pau que não me bate
Linha que não quer alinhavar
Nunca se cansa de viajar.
É pau, é linha!
Não é um mero linha e pau.
Pormenorizadamente linda.
Elegantemente
Involuntariamente
Não é um mero linha e pau.
Por ser diferente
Amiúde surpreendente
Linha que não quer alinhavar.
Amante do simples
Da chuva e de todas as artes.
É pau, é linha!
É pau, é linha!
Calor que não arde
Vinho vil, cigarro de menta.
Pau que não me bate!
Pau que não me bate!
Seja aqui, seja ali
Em alhures, em qualquer lugar
Não desiste de fulgir
Nunca se cansa de viajar.
Que ela é linda
É difícil -tão difícil- alguém discrepar
Eternamente mente linda
Pormenorizadamente linda.
Pau...
Linha...
Pau...
Pau que não me bate
Linha que não quer alinhavar
Nunca se cansa de viajar
É pau, é linha!
Não é um mero linha e pau.
Pormenorizadamente linda.
É pau, é linha!
Pois não é um mero linha e pau.
Maravilhosamente linda.
Mitchell Almeida
Linha que não quer alinhavar
Nunca se cansa de viajar.
É pau, é linha!
Não é um mero linha e pau.
Pormenorizadamente linda.
Elegantemente
Involuntariamente
Não é um mero linha e pau.
Por ser diferente
Amiúde surpreendente
Linha que não quer alinhavar.
Amante do simples
Da chuva e de todas as artes.
É pau, é linha!
É pau, é linha!
Calor que não arde
Vinho vil, cigarro de menta.
Pau que não me bate!
Pau que não me bate!
Seja aqui, seja ali
Em alhures, em qualquer lugar
Não desiste de fulgir
Nunca se cansa de viajar.
Que ela é linda
É difícil -tão difícil- alguém discrepar
Eternamente mente linda
Pormenorizadamente linda.
Pau...
Linha...
Pau...
Pau que não me bate
Linha que não quer alinhavar
Nunca se cansa de viajar
É pau, é linha!
Não é um mero linha e pau.
Pormenorizadamente linda.
É pau, é linha!
Pois não é um mero linha e pau.
Maravilhosamente linda.
Mitchell Almeida
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
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