domingo, 13 de abril de 2008

"Pela janela"

Defenestrei poetas
Defenestrei palavras
Defenestrei convites
De pessoas etilicamente legais.

Defenestrei demônios
Defenestrei a sorte
Defenestrei meu santo
Defenestrei a paz.

Defenestrei o tabaco
Defenestrei a bossa
Defenestrei a Rússia
Alemanha, Brasil e Escócia.

Defenestrei a pudica revolução vindoura
Defenestrei o molusco
Defenestrei sem dó
O dó que sentia de ti.

Defenestrei amores
Homens, mulheres, rumores...
Defenestrei - assumo
Os livros, como fez Godard.

Defenestrei a glória
Defenestrei - me acode!
Defenestrei a pena
Celebram o computador.

Defenestrei o defenestrável
Já não me restam mais roupas ou sapatos.
Defenestrei desnorteado
O que eu não imaginava defenestrar.

Defenestrei o verde
Defenestrei loucuras
Defenestrei um sonho
E, do alto, me auto-defenestrei.

M.A.

5 comentários:

Taisa Sganzerla disse...

Vou fingir que é.

Diego Salviano disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Diego Salviano disse...

"... denestras?"
"defenestrei ..."
"me auto-defenestrei ..."

Eu defenestro a possibilidade de entrar nesta discursão defenestrante(já entrei, e meus pensamentos a todo custo são defenestrados, mas enfim...),pois jamais quererei ser defenestrado, apenas por acreditar que esse texto tem rosto, forma e espirito, tais características me remetem à somente uma criatura, ao inquieto e provocado, Michell Almeida!

Michell, quão saboroso é passear nesta tua mente...!

Saravá!

Sanção Maia disse...

Obrigado pela recepção!
Eu é que agradeço ao senhor, por me fazer ler texto tão bom e deenestrante de barreiras!
Parabéns pelo 1 ano de Noncha Lances!

Saravá, caro boêmio companheiro!

Hailton Andrade disse...

Poeta dos enigmas, da codificação.
Defenestrei minhas teses mirabolantes, não há mais o que discutir. Corriqueiramente você faz isso com a gente. Poucos entendem, ou acham que, verdadeiramente, muitos lêem, parabenizam e ficam sem saber. Assim vejo você sendo quem é, poeta a sorrir.

Saravá, filho!

PS: Tem coisa nova lá!