Pela manhã, bem cedo, me abrem
Para a introdução de cabeças, até então, minhas.
Não dou o prazer desejado por muitos, é verdade.
Mas estou quase sempre limpa - embora nem tudo, aqui, em mim, seja limpo.
Eu sou a testemunha ocular de perenes conspirações.
Eu sou o retrato da mais patente segregação.
Por medo ou vaidade, talvez, eu rejeite o carinho dos animais.
Todavia, afirmo, sem medo, ter pretensões políticas.
- Alguém se arrisca?
Eu sou a sabedora de todas as respostas do mundo.
Eu estou completamente fora de moda.
Levanto o estandarte da reparação social.
E não me nego a ter um contato constante com a natureza.
Eu sou o boêmio, gerador de enfados e de gracejos, com a minha retórica desprezível.
Eu sou a sanguessuga da glória paterna alheia.
Eu me recuso a corresponder ao olhar do menino que é pobre como eu.
- Quando é mesmo que nós vamos malhar?
Eu sou o purgante dissimulado e traiçoeiro
Que tempera a salada da discórdia, mas ninguém nota.
Eu sou a versão tupiniquim da prisão foucaultniana
Acostumada a ser enjeitada quando a fome bate.
Eu sou complexa e, meramente, assim.
E eu...
Não estou nem aí!
M.A.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
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3 comentários:
Exorbitante! Bravo, Bravíssimo!!
Rapaz, definitivamente o nosso ambiente acadêmico somado a sua maestria em fazer poesias deu um resultado absurdamente bom!
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Que trabalho nós fizemos, que poesia intrépida!
Espero por novas postagens!
Saravá!
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