Após uma noite bem dormida, acordei com a disposição necessária para ir à Cidade Baixa resolver algumas questões que há muito eram proteladas por mim.
Cheguei ao destino um pouco temeroso, é verdade, imaginando o quão desgastante poderia ser aquela “missão”.
Ledo engano...
Pois, para minha surpresa, tudo foi resolvido com relativa rapidez – possibilitando, inclusive, que eu aproveitasse o resto da manhã como bem entendesse.
Eu tinha tempo, disposição e falta do que fazer.
Observei prédios, sol, mar, monumentos...
(e o meu relógio ratificou que ainda restava uma significativa parcela de manhã até o horário do almoço.)
Como é encantador o bairro do Comércio...
Decidi, então, caminhar.
Admirar.
Devanear.
Apreciar.
Suar.
Quase cansar.
Até me deparar com uma belíssima e imponente porta giratória de madeira: porta de entrada para o pouco comentado Museu do Cacau.
Localizado no antigo e visivelmente castigado Instituto do Cacau, o museu - que tem o nome da fruta que já valeu como ouro - é hoje mais um retrato do descaso que há por parte do governo com a cultura e, concomitantemente, com a história da Bahia.
O MAM ser devidamente agraciado com verbas do Estado não é sinônimo de que a nossa secretaria de cultura faz um bom trabalho.
O museu Carlos Costa Pinto não recebe o tratamento que esperamos dos atuais detentores do poder. (talvez o fato de o singelo e acanhado auditório do museu ter o nome do falecido senador Antonio Carlos Magalhães seja preponderante para motivar uma falta de incentivos a um museu que possui tão valoroso acervo. Vai saber...)
Voltando ao Museu do Cacau...
Ao empurrar a supracitada porta giratória de madeira, dei de cara com um ambiente escuro e nada motivador.
Não havia em vista sequer um funcionário para ciceronear o “turista”.
(apenas os ácaros me faziam sala.)
Fitei algumas gravuras insossas, amostras de solo e... duas baratas(!)
Desbravei, ainda, o descuidado auditório, o pútrido sanitário, até, enfim, me encontrar com uma funcionária do museu.
Simpática, a senhora de meia idade parecia surpresa com a visita de uma pessoa (certamente, a minha surpresa em ver alguém foi bem maior do que a dela).
Perguntei sobre o museu, sobre a história do cacau, sobre a triste história daquele conspurcado museu do cacau...
A funcionária, para meu desalento, não soube o que dizer.
Apenas me mostrou o local onde o visitante do museu deveria assinar.
Assinei e me assustei.
(é importante salientar que a história do cacau nunca me interessou, mas isso, no entanto, não é o que interessa.)
É lamentável...
Mais um museu, mais um patrimônio entregue às traças.
E ninguém assume a culpa e a responsabilidade pelos problemas.
Enfim, uma nova “vassoura de bruxa” afetando o cacau e a cultura da Bahia.
Fiquei embasbacado.
E, cabisbaixo, regressei a tempo de almoçar em casa.
M.A.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
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1 comentários:
Filho, olha o jornalista intrínseco em ação. É triste saber que a história é tão desprezada, parece até que deveríamos nos envergonhar dela, que judiação.
Saravá, filho!
Espero que este seja o retorno tão aguardado!
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